Como fazer um estudo quase-experimental: desenhos e exemplo
Resumo: Avalia intervenções sem aleatorização com comparação, diferenças em diferenças e análise dos pressupostos.
O que é um estudo quase-experimental
Um estudo quase-experimental avalia uma intervenção sem atribuição aleatória completa às condições comparadas. Procura estimar o que teria acontecido sem a intervenção através de um grupo, período ou regra de comparação defensável. A ausência de aleatorização exige pressupostos e verificações explícitos.
Quando escolher este desenho
É uma opção quando uma escola, organização ou serviço implementa uma mudança e a distribuição aleatória não é possível. Confirma acesso a dados anteriores, identificação da implementação e existência de uma comparação credível. Ter dois grupos disponíveis não garante que sejam adequados.
Definir intervenção e resultado
Especifica conteúdo, destinatários, data de início, duração, adesão e resultado principal. Constrói uma cronologia com outras mudanças que possam afetar o mesmo resultado. Esta preparação ajuda a distinguir o início da intervenção de alterações no instrumento ou na composição dos participantes.
Diferenças em diferenças
Este desenho compara a mudança no grupo abrangido com a mudança num grupo de comparação. A interpretação depende, entre outros pressupostos, de tendências paralelas no cenário sem intervenção e da ausência de choques diferenciais relevantes. Vários períodos anteriores ajudam a avaliar plausibilidade, mas não provam o pressuposto.
Exemplo académico hipotético
Imagina uma turma que recebe tutoria e passa de 60 para 75 pontos, enquanto uma turma de comparação passa de 65 para 70. A diferença entre mudanças é (75 - 60) - (70 - 65), ou 10 pontos. O cálculo é ilustrativo e não basta para atribuir o ganho à tutoria: uma mudança de professor apenas na primeira turma seria uma explicação alternativa.
Outras opções de desenho
Uma série temporal interrompida examina alterações de nível ou tendência usando várias observações antes e depois. Uma regressão descontínua explora um limiar de elegibilidade e requer atenção à manipulação da regra e à continuidade perto do corte. Escolhe a estratégia pela implementação e pelos dados, com orientação estatística adequada.
Seleção, contaminação e acontecimentos externos
Analisa como as pessoas entram nos grupos, se existe troca de materiais ou acesso à intervenção no grupo de comparação e se os participantes mudam ao longo do estudo. Regista políticas, avaliações ou acontecimentos coincidentes. Uma tabela de contexto por período ajuda a localizar ameaças à interpretação.
Análise e robustez
Respeita a dependência entre observações da mesma pessoa, turma ou instituição. Relata efeitos, intervalos de confiança e especificações alternativas justificadas. Se os resultados mudam muito com pequenas decisões analíticas, explica essa instabilidade em vez de apresentar apenas o modelo mais favorável.
Como escrever a metodologia
Descreve a origem da intervenção, a razão de não aleatorizar, a seleção da comparação, o calendário, as medidas e os pressupostos. Separa decisões planeadas de análises exploratórias e torna os dados e procedimentos verificáveis dentro das condições de confidencialidade.
Checklist final
Confirma intervenção delimitada, comparação plausível, observações anteriores, estabilidade das medidas, confundimento, efeitos externos, adesão, dependência e incerteza. Um antes e depois isolado oferece uma base fraca para atribuir mudança à intervenção e deve ter essa limitação claramente discutida.
Conclusão
O desenho quase-experimental torna a avaliação de mudanças reais mais informativa quando constrói uma comparação fundamentada. A conclusão depende da plausibilidade dos pressupostos e da transparência com que são investigadas explicações alternativas.
Fontes
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre experimental e quase-experimental?
O quase-experimental avalia uma intervenção sem atribuição aleatória completa, exigindo uma estratégia de comparação e pressupostos específicos.
O que são diferenças em diferenças?
É a comparação da mudança no grupo abrangido pela intervenção com a mudança num grupo de comparação, sob pressupostos como tendências paralelas sem intervenção.
Basta medir antes e depois?
Uma mudança temporal isolada pode refletir outros acontecimentos. Uma comparação credível e a avaliação dos pressupostos são essenciais para atribuir o efeito.
Formata as fontes que consultaste no gerador de bibliografia.